COMO FAZER UM VIVEIRO DE MUDAS COM SAQUINHOS DE POLIETILENO

 

por João Cruzué

 

1 – Introdução

Fazer mudas de plantas além de ser um processo dinâmico, é um eterno aprendizado e eu adoro isso. Quero compartilhar com você minha cultura matuta neste negócio, quem sabe não se apaixona também? No decorrer do texto vou grifar algumas palavras de propósito para que pesquise mais na WEB. Conheço três processos de propagação de plantas: semeadura, estaquia e clonagem. Do mais simples ao mais sofisticado. Cada um está ligado à quantidade exigida de mudas.

2 – Processos de propagação

Como fazer mudas

I – Clonagem de meristemas – Por exemplo se alguém precisa plantar, digamos 100 hectares de bananeiras, iria demandar digamos 100 mil mudas. Considerando que cada bananeira leva um ano para produzir duas ou três mudas. Se você estiver começando do zero, quantos anos levará para conseguir tantas mudas? Então neste caso, sei que a EMBRAPA-Mandioca e Fruticultura em Cruz das Almas – Bahia, recomendaria a tecnologia de clonagem de meristemas e a construção de um laboratório/estufa totalmente esterilizado para produzir em um/dois anos as 100 mil mudas. As grandes plantações de eucalipto também recorrem ao mesmo processo.

II – Estaquias – Sobre o processo de propagação, lembro-me bem quando assisti o Globo Rural e certo cultivador de goiabas cortava a ponta dos ramos de goiabeiras adultas, tamanho de uns 15cm – as estacas. Depois utilizava uma auxima de nome Ácido Indolbutírico ou Indolacético, cuja função é induzir artificialmente cada estaca a emitir raízes. Cada estaca (a ponta dos galhos) era fincada em um saquinho de polietileno (lona plástica). Milhares de saquinhos com as estacas eram reunidos em uma estufa para que em temperatura e umidade ideais pudessem pegar ou brotar em um ano. Com isso atenderia a necessidade de mudas requisitadas usando os ramos das árvores mais produtivas.

III – Semeadura – é o processo de propagação mais simples, artesanal, mais barato e também o meu preferido, uma vez que faço isto por prazer e não tenho grandes demandas de plantas senão as minhas próprias. Considerando que neste texto este é o processo principal, tome nota de algumas dicas de como fazer mudas utilizando os saquinhos de polietileno.

A) Vantagens do uso do saquinho para o plantio de sementes:

* Facilidade irrigação e cuidados – porque você reúne vários deles em um só lugar próximo da sua casa, no quintal da cidade ou mesmo na cobertura de um prédio. Isto seria um viveiro ou para quem nunca trabalho com mudas, diria que é um berçário de plantas.

* A segunda vantagem é: com as mudas crescidas elas podem ser plantadas em qualquer lugar, mesmo a quilômetros de distância. Por exemplo, meu pai (já falecido) adorava doce de cidras. Quando eu ainda era criança, ele trouxe algumas mudas de um sítio que ele possuía perto de Mariana, em Minas Gerais. Além do famoso doce de cidra de “curtir”, a casca desta planta cítrica, quando utilizada em muitos tipos de doces, simplesmente deixa um aroma fantástico. Ao perceber que as cidreiras estavam morrendo, era minha função fazer mais mudas para que não se perdesse a espécie. Recentemente, trouxe das Gerais um fruto para fazer as mudas aqui mesmo na Capital paulista. Seis meses depois, além de presentear alguns amigos com algumas mudas, viajei 900km com dezenas delas para plantá-las no sítio da família. Quando você faz uma muda dentro de um saquinho de polietileno (plástico) ela pode ser transportada com segurança para qualquer lugar sem ferimentos.

* Há plantas que não podem ser arrancadas do chão e transplantadas em outro lugar, pois não emitem novas raízes – é o caso do mamoeiro. Outras, precisam justamente ser arrancadas e transplantadas para que desenvolvam melhor suas raízes – os tomateiros, pimentões, alfaces, escarolas, cebolas, salsas etc. Tratando-se de árvores, na dúvida se a espécie pode ser arrancada ou não, é muito mais seguro e prático encher saquinhos de terra misturada, colocar ali as sementes, e quando as mudas estiverem grandinhas plantá-las no lugar definitivo, previamente escolhido – cortando apenas o fundo da embalagem de polietileno, sem ferir as raízes.

B) Terra, ferramentas, embalagens e dicas para semear um viveiro de plantas.

* Embalagem econômica – o saquinho de polietilileno do tipo usado para produzir mudas de café. Nas grandes e pequenas cidades isto pode ser adquirido nas casas agrícolas. O custo do milheiro deles fica em torno de R$7,00 a R$15,00. Há saquinhos de muitos tamanhos, estamos falando de um dos menores deles – os usados para semear café.

* A terra para encher os saquinhos pode ser uma mistura de três componentes, 1/3 de terra vermelha de barranco de estradas ou argilosa; 1/3 de areia de construção média, e 1/3 de material orgânico, minha preferência é por esterco de gado seco ( boi), na falta dele, esterco de galinha ou terra vegetal. Argila, areia e matéria orgânica. Os três carrinhos cheios são suficientes para produzir terra peneirada para 120 a 150 saquinhos.

* A terra deve ser bem misturada com uma enxada e pá. Use um carrinho de pedreiro para medir a argila, areia e a matéria orgânica. Depois de ter misturado os três substratos faça um monte e abra uma cratera nele, como se fosse um pequeno vulcão.

* Dentro desta cratera de “vulcão” adicione três baldes com água, um de cada vez e não deixe entornar. Use balde de 10 litros e ponha três colheres de cal de parede dentro de cada e misture bem com a água. O cal pode ser encontrado em qualquer casa de materiais de construção. A função do canal é neutralizar a acidez, comum em terras brasileiras. Em terras ácidas, muitos macros e micronutrientes minerais costumam ficar indisponíveis às raízes das plantas. É como se os alimentos existissem mas estivessem trancados à chaves.

* Ferramentas usadas para trabalhar na construção de um viveiro: enxada, pá, carrinho de pedreiro, balde de 10 litros, uma peneira de arame de crivo médio para groso, um pedaço de cano ou uma garrafa pet serrada ao meio, para encher os saquinhos de terra.

* A mistura de terra deve ser peneirada antes de ir para os saquinhos. Por isso atenção neste detalhe: quando você misturar argila+areia+matéria orgânica em seguida vai adicionar a água com o cal. Se usou como medida os carrinhos de pedreiro, sei que três baldes com 10 litros de água (com o cal) não vão transformar a mistura em barro. Depois de colocado a água e misturado de novo a massa deve ficar de modo tal a não estar nem seca e nem barrenta, justamente para passar com facilidade pelos crivos da peneira.

* Para encher os saquinhos do tipo café no monte de terra duas improvisações legais: ou um pedaço de cano comum de duas polegadas de diâmetro e 20cm de tamanho ou uma garrafa PET de dois litros serrada ao meio, e também serrada acima do bico para que a terra escoe livremente. No uso dos dois, gostei mais do segundo. Você enche a meia-garrafa pet com terra com a boca do saquinho aberta como bico da garrafa dentro. No uso do pedaço de cano, você primeiro “veste” o saquinho dentro dele, para depois enfiá-lo no monte de terra e erguê-lo. Essas duas “ferramentas” aumentam a velocidade do acondicionamento da terra dentro dos saquinhos.

* Ao encher de terra os saquinhos, segurá-los com as mãos e “bater” com eles no chão para que a terra fique depois em volumes corretos.

* Esterilização da terra misturada – se você quiser adicionar um pouco mais de tecnologia no seu processo de fazer suas mudas através de sementes, anote mais esta dica. Quando você mistura a argila com areia e matéria orgânica, ali existirão fungos, nematóides e outros micróbios que vão parasitar as primeiras raízes das plantinhas que nascerem. Quando você esteriliza a terra, dependendo do grau da esterilização você eliminará as pragas indesejáveis na mesma proporção. Conheço três métodos: dois naturais – a luz do sol e o calor do fogo. E um químico, que não uso: a fumigação com brometo de metila.

** A luz do sol – depois que misturar argila, areia e matéria orgânica, espalhe o composto bem ralo sobre uma superfície cimentada. Ajunte para depois revirar com a enxada umas três vezes por dia. Debaixo de um dia de sol forte é provável que todos os fungos e micróbios tenham sido eliminados. Detalhe só coloque os baldes com água depois do sol.

** O calor do fogo – neste processo molhe o composto de argila+areia+matéria orgânica, misture com a enxada e pá depois da água. Use restos de madeira e aproveite aquelas casas de cupins que estas pragas costumam construir nos troncos das árvores, caso more em sítio. A quantidade de restos de madeira ou galhos secos suficientes para a esterilização, imagino que seja a necessária para uma cratera de 60cm² ou 60 x 60cm com uma altura suficiente de uns 25-30cm. Junte o composto úmido na forma de um pequeno vulcão e abra uma boa cratera nele.

Acenda o fogo, de preferência à tardinha, em lugar seguro, longe de crianças, em cima do chão. Depois que as madeiras estiverem em brasas, junte de novo a terra do composto em cima dessas brasas de deixe de um dia para o outro. Neste processo o aquecimento por contato será lento e crescente. Todas as brasas se queimarão até se tornarem cinzas. E se o processo tiver mesmo brasas o suficiente, depois não vai restar nenhum fundo nem nematóide nem qualquer outro micróbio. Alguns verdureiros descendentes de japoneses do cinturão verde da cidade de São Paulo costumam usar este processo de esterilização.

No dia seguinte, se ainda estiver quente, molhe um pouco, para executar o peneiramento do composto, agora enriquecido pelo potássio da cinza.

Dica: use uma máscara simples de poluição para não respirar o pó.

Importante: Se você usou esse processo, não semeie nada pelo menos antes de uma semana. A cinza desta mistura antes deste tempo vai desidratar toda semente que ficar em contato com ela. Por este detalhe, já perdi a primeira semeadura de maracujás e mamoeiros.

FONTE: http://www.tudosobreplantas.com.br/

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